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Monitoramento dos parâmetros da água.

De forma resumida os principais parâmetros da água podem afetar a vida dos peixes e dos organismos vivos que nela habitam.

  • Por: Caio Bianco (CUBOS)
  • 04/07/2011
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A arte do aquarismo vai bem além disso, e nesse pequeno artigo, veremos de forma resumida os  principais parâmetros da água podem afetar a vida dos peixes e dos organismos vivos que nela habitam.

 

OXIGÊNIO
Os organismos vivos utilizam o oxigênio para a respiração e produção de energia. No aquário esse oxigênio se dissolve na água através do contato com o ar, sendo utilizado então pelos peixes, bactérias nitrificantes (bactérias benéficas) e plantas. Quanto mais agitada a superfície da água, maior será a troca gasosa com o ar e maior será a quantidade de oxigênio que entrará na água. Outra forma de aumento da quantidade de oxigênio dissolvido na água é pela fotossíntese das plantas.
Os peixes absorvem o oxigênio pelas brânquias e se a quantidade de oxigênio não for suficiente sua saúde pode ser afetada causando até a morte do peixe. Já que o peixe consome oxigênio na respiração, a tendência é que o oxigênio diminua com o passar das horas. As bactérias nitrificantes também consomem muito oxigênio para “quebrar” a matéria orgânica acumulada na água do aquário. Todo esse consumo de oxigênio deve ser compensado por uma boa aeração do filtro ou por uma bomba dedicada a essa tarefa. Um aquário com 4mg/l de oxigênio dissolvido está dentro dos padrões mínimos aceitáveis para a maioria das espécies de peixes. O oxigênio dissolvido não é um fator que deve causar pânico ao aquarista, pois dificilmente um aquário apresenta problemas por esse motivo, já que os filtros mais modernos cumprem muito bem o seu papel na oxigenação.
 

DIÓXIDO DE CARBONO
O Dióxido de Carbono (CO2) é liberado na água como subproduto da respiração de plantas (é, planta também respira) e peixes. É um parâmetro muito importante que deve ser observado principalmente em aquários plantados porque ele é fundamental para a fotossíntese das plantas. Em níveis muito altos, o Dióxido de Carbônico pode matar os peixes intoxicados e em níveis muito baixos as plantas irão morrer por não conseguirem fazer a fotossíntese. Aquariastas que não possuem plantas naturais em seus aquários devem apenas se preocupar em manter uma boa movimentação na superfície da água, pois de mesma forma que o oxigênio, o CO2 consegue sair da água quando em contato com o ar. O ph da água (veremos mais a frente) também é afetado pala quantidade de CO2 dissolvido na água e, quanto maior for essa quantidade menor será o pH.
 

CLORO
A água encanada das cidades possui cloro para que possíveis bactérias possam ser mortas e a água fique saudável para o consumo humano. Por outro lado, o Cloro no aquário é extremamente tóxico para os peixes e pode matar as bactérias nitrificantes destruindo o equilíbrio biológico do aquário. Por isso, nunca adicione água de torneira diretamente no aquário e sempre faça o teste de Cloro para verificar se a água está realmente sem esse gás. Caso seja constatada a presença do Cloro na água, utilize produtos removedores de Cloro ou deixe a água descansando em um recipiente por 48h que o Cloro sairá da água naturalmente.
 

AMÔNIA
Os compostos orgânicos como resto de comida, fezes e urina dos peixes, folhas ou peixes mortos, formam rapidamente a Amônia (NH3). Esse composto químico é terrivelmente tóxico aos peixes, níveis de 0,02 mg/l podem ser tóxicos aos peixes a longo prazo e níveis maiores do que 0,02mg/l poderão matar os peixes em pouco tempo, questão de horas. A Amônia pode causar nos peixes a destruição das brânquias, dificuldade na respiração, destruição da camada de muco protetora da pele, sangramentos internos e externos, doenças, natação irregular, e suicídio (quando o peixe pula para fora do aquário). O desejado é que a Amônia fique sempre ausente na água do aquário, por isso utilize testes de Amônia freqüentemente e caso o teste de valores alterados procede imediatamente uma troca parcial de água de pelo menos 50% e tente descobrir o que está ocasionando essa alta na Amônia.

NITRITO
As bactérias nitrificantes (Nitrosomonas spp.) presentes no filtro biológico do aquário utilizam o oxigênio e convertem a Amônia para um composto bem menos tóxico, o Nitrito (NO2). Apesar de o Nitrito ser menos tóxico que a Amônia, ele ainda é perigoso na água do aquário e também pode ocasionar a morte dos peixes. É normal observar um aumento no Nitrito (curtos períodos) em aquários novos e quando peixes são adicionados ao aquário. Níveis letais desse composto irão variar muito para cada espécie de peixes, mas em geral, níveis acima de 0,2mg/l podem ser mortais. O envenenamento por Nitrito tem, como um dos sintomas, problemas na respiração do peixe.


NITRATO
O Nitrato (NO3) é o resultado da conversão do Nitrito pelas bactérias benéficas do aquário e é o produto final da filtragem biológica. Da mesma forma que a Amônia é convertida pelas bactérias Nitrosomonas spp. em Nitrito, as bactérias Nitrobacter spp convertem o Nitrito em Nitrato. O Nitrato é bem menos tóxico que a Amônia e o Nitrito, mesmo assim, em altas concentrações pode ser prejudicial aos peixes. As maiorias dos peixes possuem uma tolerância ao Nitrato que varia de 50 a 250mg/l, mas existem peixes que conseguem tolerar níveis mais altos ainda. A saúde dos peixes é afetada de forma indireta pelo Nitrato. Em altas concentrações desse composto, o peixe pode ficar estressado diminuindo assim a sua imunidade natural a doenças. Com o tempo, a água do aquário vai ficando com cada vez mais quantidade de Nitrato e esse composto não consegue sair da água por ação do filtro biológico. A forma mais fácil de diminuir a quantidade de Nitrato na água é com a troca parcial de água, a famosa TPA. Dessa forma, removendo uma parte da água e completando com água nova, o nitrato restante no aquário será diluído diminuindo assim a sua concentração. O carvão ativado não consegue remover o Nitrato ou outros íons na água do aquário. A Zeolita pode ser utilizada para esse fim.


PH
Entramos agora no estudo do pH, com certeza o primeiro parâmetro químico que todo o aquarista toma conhecimento. Cada espécie de peixe prefere um certo pH, que normalmente é o mesmo do encontrado em seu habitat natural. A escala de pH, varia de 1 a 14 onde o valor de 7 é chamado de pH neutro. Qualquer valor acima de 7 torna a água cada vez mais alcalina e, valores abaixo de 7 deixam a água acida. Peixes como os Ciclídeos Africanos, preferem água alcalina, ou seja, com pH mais alto que 7 e peixes como os Acarás Bandeira e Acarás Discus já gostam de água acida, com o pH abaixo de 7. Alguns peixes até se acostumam vivendo em pH diferente do de seu habitat natural, mas nunca viverão de forma “feliz” e não irão apresentar suas melhores cores e ainda poderão ficar mais suscetíveis a doenças. O monitoramento do pH deve ser feito tanto na água do aquário, para verificar se está de acordo com os peixes presentes nele, como deve ser feita também na água das trocas parciais, que também devem estar no mesmo pH do aquário. Caso seja necessário corrigir o pH tanto para cima como para baixo, basta adquirir produtos corretivos específicos para esse fim.


TEMPERATURA
Os cuidados com os parâmetros da água, não se restringem a parâmetros químicos. A temperatura é um parâmetro que, apesar de não ser químico, é de vital importância para o aquário. Uma variação brusca na temperatura da água pode ser muito prejudicial a vida no aquário. Cada espécie de peixe prefere uma faixa de temperatura, tome cuidado para não misturar peixes de temperaturas diferentes (isso serve também para o pH). Aquários de peixes tropicais, devem obrigatoriamente possuir um aquecedor para que a variação de temperatura seja a mínima. Para que se possa controlar a temperatura é preciso também de um termômetro que irá medir a temperatura atual da água. Nas trocas parciais de água, evite colocar a água nova em uma temperatura muito diferente da encontrada no aquário, principalmente no inverno onde a água de torneira se encontra em uma temperatura bem abaixo da maioria dos aquários.
Como vimos, o controle dos parâmetros da água são de fundamental importância para um aquário bem sucedido. Com um pouco de conhecimento e com os equipamentos e produtos corretos, essa tarefa se torna muito fácil e prazerosa de ser feita.
 

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