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Arraia de água doce

Descubra um pouco mais sobre esse belo e fascinante peixe

  • Por: AQUABR
  • 04/07/2011
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Arraia de água doce

 

Possuindo uma beleza única e um nado encantador, as arraias se tornaram um “objeto” de consumo de vários aquaristas, porém as arraias não podem ser mantidas em qualquer aquário. São animais que exigem um pouco mais de experiência do aquarista, então fizemos alguns levantamentos para ajudá-los.


Curiosidades

EspiraculosFoto: Marssel Medeiros


As arraias conseguem respirar mesmo estando com as guelras voltadas para o fundo do aquário por meio de seus espiráculos (as aberturas atrás dos olhos), através deles a água é “bombeada” para fora das brânquias e boca, assim elas absorvem o oxigênio da água.


 Uma observação importante em relação as arraias é que seu ferrão, localizado em sua cauda, é venenoso e costuma trocá-los de 2 a 3 vezes ao ano, por isso não adianta arrancá-lo pois além de ser prejudicial ao animal, o mesmo irá crescer novamente. Por isso, não coloque a mão na cauda da arraia. E se caso você levar uma ferroada, procure atendimento médico imediatamente. É importante frisar que as arraias não são animais agressivos!

 

 


Ferrão ArraiasFerrão Arraias

Morfologia

A espécie contém circunferência cartilaginosa, com aparência de um disco, o centro do corpo é mais elevado e as bordas possuem uma espessura mais fina.
A cauda é mais curta que o comprimento do corpo, possuindo no final um ferrão venenoso usado para sua defesa.
A boca é localizada na região central e o focinho é curto.
Por trás da cabeça apresenta dois espiráculo.
A coloração varia de acordo com o ambiente e espécie.

Reprodução em cativeiro

É extremamente difícil ter sucesso na reprodução de arraias em cativeiro, o maior desafio é o tamanho do local para a ocorrência do mesmo.

A reprodução é sexuada, através de fecundação e são vivíparas matrotrófica, ou seja, quando os filhotes se desenvolvem dentro da mãe e nascem plenamente formados. Dentro do útero há filamentos que secretam um tipo de substância leitosa conhecida como histotrófica, é a partir desta substânci que os filhotes se alimentam e crescem. A gestação pode levar meses, variando a abundância de alimentação disponível, mas costuma variar entre 26 a 28 semanas.

Arraias são exigentes na formação de casais. Para ocorrer sua reprodução em cativeiro, o ideal é adquirir vários juvenis e colocá-los juntos formando um par naturalmente. Aos 2 anos já estão entrando em sua maturidade sexual.

Preferencialmente a fêmea deve ser maior que o macho para assim, poder se defender durante o acasalamento, pois este costuma ser meio violento. O macho irá perseguir incessantemente a fêmea mordendo seu corpo. Então, o casal se posiciona de modo que suas barrigas fiquem alinhadas, ocorrendo finalmente, a inserção do clásper junto a cloaca da fêmea.

Mesmo não sabendo quais são as principais variáveis da água necessárias para a ideal reprodução, é importantíssimo que a água esteja em ótima qualidade!

É essencial alimentar muito bem a fêmea neste período, pois ela gastará muita energia para dar a seus filhotes.

Dão cria até 4 filhotes, estes possuem um pequeno saco vitelino que se alimentará por até uma semana, após esse período, deverá fornecer alimentos vivos ou congelados. Pais ou adultos de Arraias não costumam predar os filhotes.
 

Disco da ArraiasFoto: Marssel Medeiros



Identificação do sexo

O macho apresenta o clásper, um par de órgãos sexuais localizados entre a nadadeira anal e o "rabo", semelhante a dois espigões. Já nas fêmeas, as nadadeiras pélvicas são arrendondadas.
 

Sexagem das Arraias


Companheiros


O ideal é um tanque apenas para a espécie ou companheiros igualmente gigantes como Aruanãs, entre outros. Cuidado com as Aruanãs da Ásia e Oceania, pois por serem mais agressivas e também viverem no fundo do aquário poderão atacar as arraias. Procure por Aruanãs prateadas e negras originarias do Brasil, são mais calmas e vivem sem problemas com as arraias. Já os peixes pequenos, deverá tê-los apenas para alimento, pois todos os habitantes o irão devorar.

Aruanãs

Cuidado com peixes que gostam de “beliscar” como os ciclídeos, esses ferimentos podem levar a arraias a morte, tanto pelos ferimentos quanto pelo stress causado pelo incômodo constantes dos pequenos peixes.

As arraias podem ser mantidas em grupos. Praticamente não ligam uma para a outra, apesar de ocorrerem eventuais brigas, especialmente entre machos, o que pode resultar em ferimentos pelos ferrões. Então, para evitar este incidente, procure ter um espaço grande o suficiente para evitar o contato constante entre elas.

Manejo da Arraia

A existência do ferrão é um agravante, por isso sempre fique atento no manejo, o veneno é bem desagradável e o ferimento pode causar várias reações desde infecções até a morte em caso de choque anafilático. O ferrão é trocado aproximadamente de 6 em 6 meses.

Tamanho ideal do Aquário para Arraias

Profundidade > No aquário, é importante uma profundidade de pelo menos uns 50 cm para que o animal possa se movimentar com mais desenvoltura, com a máxima superfície livre possível.

Largura > A largura do aquário deve ser de pelo menos três vezes o diâmetro do disco de um exemplar adulto da espécie a ser introduzida.

Comprimento > vale o mesmo que para a largura, tamanho deve ser o equivalente a três vezes o tamanho total de um exemplar da mesma espécie quando adulto (lembrando que o tamanho total é o disco + cauda).

Componentes do Aquário para Arraias

Substrato > O substrato é um ponto importante, nunca use areia comum, pois os grãos de areia irão cortar as guelras dos peixes enquanto elas estiverem enterradas, podendo levar a morte. Importante: elas são de ambientes lodosos, não arenosos.

Plantas > É possível plantar apenas nos cantos do aquário de forma que o meio permaneça livre. Opte por plantas resistentes, elas devem ser bem fixadas.

NÃO PODE > O aquário não pode fazer uso de substrato fértil, CO2 ou forte iluminação.

Água > Deve-se trocar a água constantemente (semanalmente é o ideal), para simular a troca constante que ocorre em função das chuvas.

Filtragem e Iluminação > A filtragem deve ser muito eficiente e a iluminação deve ser reduzida (a quantidade de luz que penetra até o fundo do habitat natural desses animais é muito pequena), sendo este outro impedimento para a plantagem.

Filtragem Biológica > Canisters como o Fluval, wet/dry ou filtros com sump de bom porte são imprescindíveis, pois a alimentação da arraia causa muita sujeira, o que gera uma enorme carga de metabólitos, requisitando uma filtragem biológica eficiente.

Oxigenação > A oxigenação deve ser alta, por isso é recomendado o uso de bombas de circulação e areadores.

Temperatura > A temperatura aconselhada é em torno de 26ºC e é aconselhável colocar o aquecedor fora do aquário, para evitar que elas se queimem.

AlimentaçãoAlimento preferido

São carnívoras, na natureza basicamente comem anelídeos, vermes, insetos e peixes. No aquário podem ser alimentadas com pequenos peixes, bolinhas de patê de fígado, minhocas, larvas de tenébrio, zoophobas e camarões de água doce (muito apreciado).  



Adquirindo sua arraia:

Ao adquirir, atente para os diversos fatores como:

- A espécie que se esta adquirindo, pois influi também na dificuldade de manutenção;

- A atividade do animal, o exemplar saudável costuma ser ativo, vasculha o aquário e tateia os objetos, nadando em todos os níveis;

- A alimentação - é interessante assegurar-se deste item pedindo para ver o animal comendo;

- As condições onde o animal está acondicionado, que influi na possibilidade de se estar carregando doenças da loja para sua casa ou de adquirir um animal doente. Não compre indivíduos recém-coletados, pois se eles não forem sobreviver, eles morrem dentro de uma ou duas semanas.

- Cheque especialmente ao redor da boca e guelras na parte inferior do disco, pois não pode ter manchas de sangue, sinais de danos, infecções ou uma coloração muito avermelhada.

Fonte: Livros, Aquahobby, Infoaqua
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